De pé atrás

Soldado norte-americano olha avião destruído no aeroporto internacional de Bagdá

Soldado norte-americano olha avião destruído no aeroporto internacional de Bagdá
(Brant Sanderlin/The Atlanta Journal Constitution)
 

Já se disse e já se escreveu que a primeira vítima da guerra é a verdade. Depois de 18 dias de guerra no Iraque, a verdade desapareceu do noticiário. É raro encontrá-la. Quando dá os ares da sua graça, está de tal maneira mexida, remexida, cortada, costurada, amarrada, grampeada, que mais parece um Frankenstein.

Esse monstro que a CNN, a ABC, a BBC, a Al Jazeera, a TV estatal do Iraque divulgam praticamente 24 por dia não resiste à menor análise.

Informações e contra-informações conflitantes fazem parte de um volume incalculável de notícias pouco confiáveis.

Quando o repórter da ABC enviou matéria da pista do Saddam Airport na quinta-feira, informando que a 3ª Divisão de Infantaria havia tomado o local, sem muita dificuldade, deu o fato como consumado. Não foi bem assim. Horas depois da "vitória" a coisa engrossou.

Avião destruído, ao lado de tanques anglo-americanos, no aeroporto internacional de Bagdá

Avião destruído, ao lado de tanques anglo-americanos,
no aeroporto internacional de Bagdá (Romeo Gacad/AFP)
 

Hoje, domingo, quatro dias depois de "fierce combats", "combates ferozes", os americanos continuam no aeroporto e os iraquianos a cercá-los com tanques soviéticos T-72 e T-76, artilharia pesada, lança-mísseis, tropas regulares e irregulares.

Até ontem, fontes americanas informavam que as baixas iraquianas eram 320 e 5 tanques destruídos. Fontes iraquianas diziam que tinham destruído 16 tanques e 50 americanos estavam mortos.

Na dança louca das notícias, daqui e dali, em que números e informações são manipulados à vontade, é difícil acreditar em gregos ou troianos, pois a realidade da guerra em nossos televisores, em tempo real, nem sempre é aquilo que parece ser.

Carlos von Schmidt
6 de abril de 2003 12h50