Giusberti e o reflexo de suas telas
Quando descobriu o desenho, aos cinco anos, Alessandro Giusberti via a vida como uma fotografia. Aos onze, começou a pintar a óleo e tinha paixão por Van Gogh. Aos vinte, Rembrandt era seu ídolo. Já nos anos 70, o surrealismo influencia suas descobertas nas sobreposições de imagens.
Após incansável pesquisa rendeu-se ao movimento. Cedeu à linha futurista que entende que o movimento reside no real. A pose, inexiste. Faz parte do pré-concebido. Portanto, não é válido.
Giusberti pinta como respira. Domina técnicas várias. Brinca entre o impressionismo e o hiper-realismo. Usa e abusa da luz provocada pelos movimentos e utiliza esses efeitos em cenas do cotidiano.
Brilhante estudioso e defensor das pinceladas em movimento. Como se o tema de suas telas estivessem em movimento perpétuo, fluindo sem parar.
Giusberti pinta cenas quotidianas de Londres, Nova York, São Paulo, Paris, Bologna e outras metrópoles.
Começou a dualizar as imagens como se elas respirassem e suas expirações não voltassem. E nas múltiplas inspirações e expirações, as formas lá ficavam... E começavam a dar continuidade às inúmeras duplicações que ficam na tela, após pinceladas/respirações.
Nesta exposição na Galeria André mostra 40 obras. Todas inspiradas em 2010. Técnicas novas e antigas, em uma mistura de evolução artística desmedida. Mas sem medida no mais puro sentido que a arte deve ser. Maioral! Pesquisas e estudos que o tempo não deixa parar. Assim como o movimento de suas telas. Irrequieto como um grande artista deve ser. Preciso como uma pincelada hiper-realista. Luminoso como o reflexo de suas telas.
Sönia Skroski
